O que é o Turismo Criativo Regenerativo?
Um bom local para se visitar tem de ser antes um bom local para se viver
Vamos começar a falar sobre turismo regenerativo?
Durante décadas, o sucesso do turismo foi medido quase sempre da mesma forma: mais turistas, mais dormidas, mais receitas. E muito orgulhosos, temos celebrado todos estes resultados ultrapassados. Fantástico!
Esses indicadores são relevantes. O turismo é uma atividade económica importante e continuará a sê-lo. Mas serão os únicos a que devemos olhar?
Em muitos destinos, demasiados até, o aumento da procura trouxe também novos desafios: pressão sobre os recursos naturais, perda de identidade cultural, aumento do custo de vida e comunidades locais cada vez mais afastadas das decisões sobre o futuro dos seus próprios territórios.
Nesta dualidade, qual deve ser, afinal, o verdadeiro objetivo do turismo?
A resposta é simples: o turismo deve contribuir para que os lugares se tornem melhores. Melhores para quem lá vive, para quem lá trabalha e também para quem os visita.
E se assim é, então o futuro passa pelo Turismo Criativo Regenerativo.
Começando hoje!
Quando falamos em regeneração, estamos a falar de algo que vai além da sustentabilidade. Sustentabilidade procura manter o equilíbrio e reduzir impactos negativos. Regeneração implica algo mais ambicioso: fortalecer os sistemas vivos de um território sociais, culturais, ambientais e económicos.
Significa pensar o turismo como uma atividade que pode contribuir para revitalizar comunidades, valorizar culturas locais, proteger ecossistemas e criar modelos económicos mais equilibrados.
Um turismo de todos para todos. #allforall
Um turismo que não cria valor apenas para quem visita, mas para todos os que fazem parte do sistema: residentes, empresas locais, organizações, território, natureza e gerações futuras.
O turista torna-se um habitante temporário do local #responsibletourism
O visitante deixa de ser apenas consumidor de um destino e passa a fazer parte de um ecossistema onde existe troca, aprendizagem e respeito pelo lugar.
Deixar o local melhor do que o encontrou #buildbackbetter
Não voltar simplesmente ao que existia antes, mas reconstruir melhor, o que significa repensar prioridades. Significa perguntar não apenas quanto o turismo cresce, mas como cresce e quem beneficia desse crescimento.
Na nossa forma de trabalhar o turismo regenerativo, há quatro pilares que orientam sempre esse pensamento: Propósito, Pessoas, Planeta e Proveitos.
O Propósito ajuda a clarificar o papel que um projeto turístico quer ter no território de acordo com a sua essência.
As Pessoas lembram-nos que o turismo acontece sempre em lugares habitados e que as comunidades locais devem fazer parte das decisões e dos benefícios.
O Planeta recorda-nos que os recursos naturais são a base de qualquer destino e precisam de ser protegidos e regenerados.
E os Proveitos garantem que o turismo continua a ser uma atividade economicamente viável, capaz de gerar prosperidade de forma equilibrada.
Mas trabalhar turismo regenerativo não é apenas definir princípios. É um processo. Na nossa abordagem, esse processo desenvolve-se em quatro momentos: Essência, Transformação, Impacto e Legado.
A Essência começa por compreender profundamente o território e todos os seus intervenientes. Quem vive ali, quem trabalha ali, quais são as dinâmicas sociais, económicas e ambientais que moldam o lugar. Antes de pensar em turismo, é fundamental perceber o que já existe e o que realmente importa para a comunidade.
A Transformação acontece quando diferentes atores como empresas, instituições, comunidades e visitantes começam a alinhar esforços para desenvolver modelos de turismo mais equilibrados. Aqui entram decisões estratégicas, novos modelos de negócio, formas diferentes de colaboração e uma relação mais consciente com o território.
O Impacto surge quando essas mudanças começam a produzir resultados reais. Não apenas em termos económicos, mas também na qualidade de vida das comunidades, na valorização cultural, na proteção ambiental e na forma como os visitantes se relacionam com o lugar.
E, ao longo do tempo, esse impacto constrói um Legado. Um legado que permanece no território, que fortalece os seus sistemas e que cria bases mais sólidas para o futuro.
O Turismo Criativo Regenerativo nasce desta visão mais ampla do papel do turismo.
Uma visão que reconhece que destinos não são apenas produtos turísticos: são ecossistemas. São lugares vivos, habitados, com história, cultura e ecossistemas que precisam de ser cuidados.
Nos próximos artigos deste blog vamos explorar estas ideias com mais profundidade: o papel das comunidades no turismo, a importância da identidade cultural, os novos modelos económicos e as formas como destinos e empresas podem começar a trabalhar de forma regenerativa.
Mas por agora talvez tudo possa ser resumido à ideia com que começámos: um bom local para se visitar tem de ser antes um bom local para se viver.

